![]() |
Narciso Yepes com seis anos |
![]() |
A guitarra de dez cordas |
Este é um blogue que pretende ser uma substituição do tradicional papel. Notas, histórias, pensamentos, desabafos ou, simplesmente, vulgares textos, serão o cardápio deste cantinho, onde tentarei desfiar um pouco o novelo da minha vida
![]() |
Narciso Yepes com seis anos |
![]() |
A guitarra de dez cordas |
![]() |
Camarón de la Isla e Paco de Lucía |
Bem sei que o meu pai nunca foi um homem de discursos muito elaborados, não foi uma pessoa com vida académica, apenas se pode considerar um bom falador que, talvez pelos anos que já viveu e pelas experiências acumuladas, lhe conferem o dom de saber um pouco de tudo. E esta “sabedoria” é acima de tudo uma coisa transversal: é do futebol à agricultura, da política aos assuntos domésticos, até sobre medicina de vez em quando, lá vem uma opinião… Enfim, é o que se pode chamar na gíria: “esperteza saloia”. Confesso que algumas vezes acredito, das outras, faço de conta que também acredito… No caso que vou revelar, devo admitir que não acredito muito, e a justificação é que afinal um segredo é sempre um segredo, e por isso não deveria estar ao alcance de qualquer um. Porque raio haveria o meu pai de ser um dos eleitos? Lá está… faz de conta que acredito, mas a verdade da coisa fica só para mim… Há um par de dias, enquanto vasculhava a minha carteira onde guardo os documentos, deparei-me com um papelinho todo amarrotado e com as letras já um pouco sumidas, onde se podia ler a custo qualquer coisa como:
2 litros de Vinho Tinto
1 litro de Vinho Branco
1 litro de Aguardente
1 kg de Açúcar Amarelo
33 folhas de Pessegueiro
Estes seriam os ingredientes que faziam parte de uma receita, ou eventual receita do tão afamado e conhecido Vinho do Porto. E dei comigo a pensar, não é que a receita seja verídica, mas o ambiente e a maneira como o meu pai me entregou esse papelinho, fez-me acreditar que ele pensa que isto tudo é verdade e eu só lhe posso fazer crer que também eu acredito… faz de contra que é o nosso segredo. Nunca experimentei a receita, e o mais certo é nunca o fazer, se calhar nunca ia dar em nada, mas assim sei que na dúvida, tenho dias em que acredito que pode resultar!
Esta é a primeira vez que escrevo uma espécie de crónica, e ainda por cima de btt, mas vou tentar…O dia começou bem cedo, era preciso estar em Lourel às 7.30h da manhã, para me juntar aos companheiros de sempre, nestas coisas do pedal. Este foi o dia escolhido para o passeio anual do clube, devidamente registado com a estreia dos novos equipamentos, que mesmo enganados estavam lindíssimos… Às 8.00h já estávamos na Escola D. Carlos I, local da concentração e onde passámos à parte do secretariado, em que se distribuiu tarefas por todos: Recebeu-se o pessoal, confirmou-se as inscrições, entregou-se dorsais, t’shirts e outras ofertas. Pouco passava das 9.00h, e sob a voz de comando (Mário) que veio do alto de uma carrinha, quando centena e meia de bttistas deram início ao passeio que começou em direcção a Sintra e ao palácio, onde se tirou a foto do dia. Daí partimos em direcção aos correios onde apanhámos uma daquelas descidas que deixam saudades e todos gostam e num ápice já estávamos em Galamares, onde demos ao pedal por alguns lavrados e depois de passar o Mucifal, chegámos aos famosos patos de Colares. Depois foi só seguir o caminho paralelo à estrada que leva às praias, e de repente o primeiro abastecimento estava mesmo à nossa mercê. Repostos os sólidos e liquídos, uns seguiram pelo percurso mais longo e os menos afoitos foram pelo caminho mais soft. Enquanto houve malta que se passeou pela praia, outros também apanharam areia, mas esses, coitados, não viram a água azul do mar, apenas pinheiros e mais pinheiros, enfim… A Capela Circular de Janas trouxe-nos mais um abastecimento com águas, sumos e muita fruta, mas não tínhamos muito tempo para fazer sala, é que ainda havia alguns quilómetros para fazer e à nossa espera estava uma subida (parede) daquelas de caixão à cova, é que nem de mota… A chegada ao local de partida foi feita a conta-gotas, afinal havia dois percursos e muita gente com diferentes andamentos, o que é compreensível… No final houve ainda tempo para uma rifas e mais umas águas, sumos e frutas.
Como apontamento fica o registo de um passeio para todos os gostos, com algumas peripécias (furos e problemas mecânicos) e uma aparatosa queda de um nosso companheiro, felizmente sem graves consequências. O companheirismo e a boa-disposição foram a nota dominante deste nosso passeio. Apoios e patrocinadores estão de parabéns. Em jeito de conclusão gostava de agradecer a todos os presentes, e quero dar uma palavra aos Tretas, pessoal 5 *****, com quem tive o prazer de tirar uma foto para a posteridade, obrigado Pedro Pais, Jorge e Bispo. Apareçam sempre. Para terminar, e porque esta crónica é da minha inteira responsabilidade, quero agradecer aos meus companheiros de pedal, pelas aventuras que tenho passado com eles e pela amizade que me deram. É um orgulho fazer parte deste Clube de Amigos.